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A dívida bruta do governo geral pode atingir 115% do PIB (Produto Interno Bruto) até 2036, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal da IFI (Instituição Fiscal Independente).
O documento projeta uma trajetória de crescimento contínuo do endividamento público ao longo da próxima década caso não haja mudanças na condução da política fiscal.
Em entrevista ao CNN Money, o diretor da IFI, Alexandre Andrade, classificou o cenário como preocupante, mas afirmou que ainda há tempo para reverter essa trajetória. Segundo ele, as projeções consideram a manutenção das regras fiscais e das condições macroeconômicas atuais.
“Ao mesmo tempo em que é preocupante, é também administrável, porque ainda há tempo para se corrigir as trajetórias”, afirmou.
De acordo com Andrade, o principal fator por trás do aumento da dívida é a expectativa de déficits primários sucessivos nos próximos anos. Na avaliação da IFI, o governo não conseguiria gerar superávits fiscais ao longo da próxima década, o que impediria a estabilização do endividamento.
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“As atuais regras fiscais e a atual condução da política fiscal tendem a produzir uma elevação da dívida pública nos próximos anos”, disse.
O diretor também explicou que as projeções da IFI são mais pessimistas do que as do governo porque utilizam premissas macroeconômicas diferentes. Enquanto o Executivo trabalha com estimativas mais otimistas para crescimento econômico, inflação e taxa de juros, a instituição adota um cenário mais conservador.
Segundo Andrade, esses fatores influenciam diretamente a dinâmica da dívida, já que o crescimento afeta a arrecadação, a inflação impacta a correção das despesas e cerca de metade da dívida pública está indexada à taxa Selic.
Outro ponto de atenção é o arcabouço fiscal. Segundo o relatório, a regra atual perde eficácia a partir de 2028 devido ao avanço das despesas obrigatórias, principalmente com Previdência e benefícios assistenciais, que reduzem o espaço disponível para outras despesas do Orçamento.
“A partir de 2028, a regra deixa de funcionar, justamente por causa da trajetória de crescimento de uma porção de despesas obrigatórias”, afirmou.
Para reverter esse quadro, Andrade defende um debate sobre a revisão do ritmo de crescimento dessas despesas. Segundo ele, a discussão não envolve necessariamente cortes, mas ajustes que permitam preservar a sustentabilidade das contas públicas.
O diretor também apontou o envelhecimento da população como um dos principais desafios para as próximas décadas, especialmente pelos impactos sobre os gastos com Previdência e saúde.
“São problemas de longo prazo que o país tem e discussões que, cedo ou tarde, a sociedade vai ter que ter”, concluiu.
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