O senador Jaques Wagner (PT-BA) assumiu nesta sexta-feira (26) a relação com o banqueiro ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima. Ele também reclamou da operação da PF (Polícia Federal) e disse que os contratos da instituição financeira com sua nora ficaram acima dos R$ 3,5 milhões divulgados.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o senador sustentou a posição de que conheceu Augusto Lima e nutriu uma relação com ele, mas ponderou que não tem nenhum envolvimento com a empresa da nora.

“Conheci Augusto Lima no processo de privatização [do Cesta do Povo]. Criou-se uma relação. Sei que muita gente tem consultorias espalhadas pelo país. Eu poderia ter uma consultoria, não poderia? Não tenho. A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa”, disse.

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De acordo com o senador, a PF precisa comprovar uma relação de troca entre ele e os empresários. Jaques confirmou a relação com empresários e disse que pegar carona em jatinhos não configuram um “problema”.

“Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’ Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca”, afirmou.

Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o agora ex-líder do governo no Senado reclamou da operação da PF contra ele e chamou de “patacoada” as fotos divulgadas pela corporação com o dinheiro encontrado e os relógios apreendidos. Ele questionou a forma como a operação foi realizada, já que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça determinou que os trabalhos fossem “discretos”.

“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, disse.

Jaques sustentou a sua posição inicial de que não deixaria o cargo. Em entrevista semana passada, o senador chegou a dizer que só sairia da liderança se Lula determinasse. De acordo com ele, no encontro realizado com o presidente na quarta-feira (23), Lula questionou se o congressista “teria cabeça” para fazer a sua própria defesa e a articulação no Senado. Isso teria sido decisivo para o afastamento.

O senador ainda disse que esteve com Daniel Vorcaro duas vezes, mas que não teme que a relação com Augusto Lima associe ele ao escândalo completo do Banco Master.

“Não tenho nada a ver. Conheci o Vorcaro duas vezes. Quando ele veio se apresentar, que virou sócio, e quando eu fui levar o ministro [Ricardo] Lewandowski. O Augusto Lima disse: ‘A gente precisa melhorar o padrão do banco. Você tem alguma sugestão para a área jurídica?’ Eu disse: ‘O ministro Lewandowski tem pouco tempo que se aposentou, não vejo outro nome melhor. Não sei se ele quer.’ Perguntei e ele disse: ‘Só quero se eu for tipo chefe da consultoria jurídica.’ Fui acompanhar o ministro para ele conhecer o Daniel”, disse.

FONTE/CRÉDITOS: lorenzosantiago