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O CNN Talks “Tendencias e Cenários do Agro para o Brasil” discutiu os caminhos, desafios e estratégias do setor agroindustrial em meio a instabilidades globais, nesta terça-feira (30), durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP).
Com a mediação de Fernando Nakagawa, editor de economia e âncora do CNN Money, o painel contou com a presença de Kellen Severo, especialista em economia e agronegócio, e Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.
Fernando Nakagawa iniciou a discussão com destaque para o atual cenário internacional, que pressiona a economia que incentiva medidas do agro. “Vivemos uma guerra e uma discussões sobre política e geoeconomia, por isso, estamos aqui para entender como esses eventos globais se refletem no agronegócio”, disse.
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A especialista em economia e agronegócio Kellen Severo afirmou que o Brasil ocupa uma posição central na garantia da segurança alimentar global, especialmente diante de um cenário internacional marcado por incertezas. “Do ponto de vista da demanda, o Brasil é muito requisitado para garantir a segurança alimentar do mundo. Por isso, o agronegócio se mantém como um pilar estrutural, mesmo em meio às incertezas”, ressaltou.
Severo destacou avanços relevantes em cadeias produtivas como aves, suínos, pescados e etanol, mas ressaltou que ainda há amplo espaço para crescimento, especialmente com o aumento do consumo de proteínas na Ásia. “Há horizontes importantes de expansão com a Ásia e o crescimento do consumo de proteína. Isso aumenta a demanda por grãos e reforça o papel do agro como base da produção de proteína vegetal, com pilares sustentáveis”, afirmou.
Apesar do protagonismo na produção de alimentos, Kellen chamou atenção para a dependência externa de insumos, como fertilizantes, e os impactos disso sobre o produtor rural. “Ao mesmo tempo em que o Brasil é um grande provedor de alimentos, ainda é importador de insumos. A alta da ureia, por exemplo, impacta diretamente o produtor, elevando significativamente os custos em momentos de instabilidade”, explicou.
Segundo a especialista, o avanço dos bioinsumos representa uma alternativa relevante para reduzir essa vulnerabilidade. “O boom dos bioinsumos no Brasil traz várias alternativas. O país ainda é dependente, mas começa a construir soluções domésticas para suprir demandas em que ainda é vulnerável”, disse.
Por fim, a Severo defendeu a necessidade de ampliar o debate sobre o desenvolvimento econômico do país. “Um país próspero precisa evoluir na qualidade da discussão. É fundamental avançar para além de temas como juros elevados e escassez de crédito rural, com a escolha de lideranças capazes de conduzir mudanças estruturais”, concluiu.
O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, reforçou a relevância do agronegócio para a companhia e defendeu a necessidade de maior estabilidade econômica para impulsionar investimentos no país. Segundo o executivo, o agro é um dos pilares estratégicos da empresa, com soluções que atendem tanto “dentro quanto fora da porteira”. Ele destacou que a tecnologia desenvolvida pela Gerdau está diretamente conectada às demandas do setor.
Werneck afirmou que a liberação de novos investimentos depende de um ambiente mais previsível. “Em meio às incertezas, o governo tem papel fundamental para garantir maior segurança aos empresários”, disse.
A crise climática também foi citada como um fator de risco que pode ser reduzido por meio de políticas públicas eficazes. Para o CEO, o setor produtivo precisa de mais confiança para avançar e alcançar um novo patamar de crescimento.
Ao comentar o cenário internacional, Werneck destacou que, nos Estados Unidos, os data centers têm sustentado o faturamento de diversos negócios. Ele observou que setores intensivos em aço seguem em expansão, impulsionando áreas como energia e tecnologia.
Internamente, o executivo ressaltou os avanços tecnológicos da companhia. As plantas da Gerdau já operam com nanotecnologia, o que, segundo ele, melhora a qualidade dos produtos oferecidos à indústria.
Apesar dos avanços, Werneck avaliou que o Brasil enfrenta desafios estruturais. Para ele, o país precisa oferecer melhores condições econômicas para competir globalmente e atender de forma mais eficiente os setores industrial e agropecuário.
O CEO também fez críticas à atuação do governo, afirmando que há falhas recorrentes na garantia de segurança e estabilidade. Ele defendeu ainda a necessidade de elevar o nível das discussões sobre preços e relações comerciais.
Por fim, Werneck destacou a importância da união do empresariado para promover mudanças concretas. “É preciso atuar de forma conjunta para transformar a realidade do Brasil”, concluiu.
No início da semana, a CNN Brasil realizou o Talks Potência Verde, marcando a estreia do formato na Agrishow com discussões sobre sustentabilidade, crédito e Plano Safra.
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