Aliados do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), tem dito que a operação da Polícia Civil que investiga a gestão por supostas fraudes em um contrato de fornecimento de Wi-Fi é resultado de uma “briga” de Tarcísio de Freitas (Republicanos) com a categoria.

Membros da gestão ouvidos pela coluna destacam o que chamam de “má relação” do governador de São Paulo com a Polícia Civil e “insatisfação” do setor, já que Tarcísio teria feito, ao longo do mandato, maiores acenos à Polícia Militar.

Segundo interlocutores da Prefeitura, todos os documentos pedidos pela investigação já tinham sido fornecidos à Polícia antes da operação. “A operação foi feita para ser midiática. Não tinha razão de ser”, justificou um. Outro argumento utilizado é que o pedido de investigação partiu de Leonardo Carvalho Bastos, membro titular do Conselho de Ética do PT de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, e por isso, teria cunho político, com objetivo de prejudicar aliados de Tarcísio às vésperas da eleição.

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Interlocutores de Tarcísio, no entanto, rejeitam essa interpretação. Para eles, atuação da Polícia Civil demonstra que as apurações não sofrem interferência política. Nesta terça-feira (2), Tarcísio defendeu a autonomia da Polícia Civil ao ser questionado sobre a fala de Nunes, que disse que, se a ação realizada ocorreu por causa do filme Dark Horse, trata-se de perseguição política. “A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado”, falou o governador.

A coluna apurou que prefeito e governador conversaram sobre o assunto após a operação. Nunes telefonou para Tarcísio, que reforçou não ter conhecimento prévio da operação.

Tarcísio e Nunes são conhecidos pela forte aproximação. Os laços se estreitaram na eleição de 2024, quando o governador teve papel central na reeleição do prefeito. Tarcísio também tem predileção por Nunes na sua sucessão. Os dois costumam trocar elogios e participar de muitas agendas conjuntas.