O sargento Gannon Ken Van Dyke, das forças especiais dos Estados Unidos, foi preso por autoridades federais nesta quinta-feira (23) acusado de lucrar mais de US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) em apostas na destituição de Nicolás Maduro na plataforma Polymarket, segundo nota divulgada pelo Departamento de Justiça norte-americano. Dyke participou da captura do líder venezuelano.

Segundo a investigação, o militar usou informações privilegiadas para realizar 13 apostas entre os dias 27 de dezembro e 2 de janeiro e somou cerca de US$ 33 mil, poucas horas antes da divulgação oficial do presidente Donald Trump sobre a captura de Maduro, no dia 3 de janeiro.

A movimentação e o alto valor acumulado geraram suspeitas e uma investigação de meses foi realizada.“Nossos homens e mulheres em serviço recebem acesso a informações confidenciais para cumprir suas missões com segurança e eficácia, e são proibidos de usar esses dados altamente sensíveis para obter vantagem financeira pessoal”, segundo o procurador-geral interino do FBI, Todd Blanche.

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Após a divulgação da operação e da prisão de Maduro, o preço dos contratos de aposta subiu rapidamente. Por consequência, o valor da posição do investidor teve um aumento significativo, gerando um lucro estimado em US$ 410 mil, segundo dados da Polymarket.

A Casa Branca já havia emitido um alerta aos seus funcionários para não usarem indevidamente informações sigilosas em apostas nos mercados futuros. O comunicado interno foi feito por e-mail, no dia 24 de março, um dia depois de Trump ordenar breve pausa nos ataques contra o Irã. A informação foi dada por uma autoridade do governo norte-americano à agência Reuters, na quinta-feira (9).

Outras decisões políticas de Trump também foram antecedidas por apostas oportunistas. A movimentação levou especialistas a questionar se, de alguma forma, informações foram vazadas antes do tempo