Um grupo de senadores articula uma missão oficial aos Estados Unidos em prol do ex-deputado Alexandre Ramagem para acompanhar a situação dos imigrantes brasileiros no país. A viagem, no entanto, ainda depende de dois fatores: a aprovação do plenário do Senado e a confirmação de agendas com autoridades norte-americanas.

O primeiro passo é a autorização do próprio plenário. A missão foi aprovada na Comissão de Relações Exteriores da Casa Alta na quinta-feira (16) e ainda tem que passar pelo plenário e, para isso, depende da iniciativa do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), de pautar o pedido.

O requerimento para a viagem foi feito pelo senador Jorge Seif (PL-SC), que afirma ser necessário “verificar a situação” dos presos brasileiros. Ele cita o caso de Ramagem. O congressista estava foragido nos EUA, foi detido pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA) e solto na última quarta (15).

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Seif disse que a ideia é acompanhar a situação do ex-deputado como um “asilado político” e realizar visitas a Orlando e Washington, D.C.. O senador afirma que articulou com Alcolumbre um compromisso para que o pedido da missão fosse pautado. A Casa tem sessão deliberativa prevista para quarta-feira (22), com pauta a ser definida.

“Eu já havia falado com ele antes da aprovação. Davi disse: se aprovar na comissão, pautarei”, disse Seif em publicação nas redes sociais.

Além da confirmação do plenário, a viagem depende de articulações com autoridades norte-americanas. Essa é a intenção de Seif, que também sugeriu no pedido da missão reuniões com o corpo diplomático brasileiro.

O requerimento aprovado prevê “estabelecer diálogo institucional com autoridades do Poder Legislativo norte americano, bem como com representantes diplomáticos brasileiros”.

Os integrantes da comitiva ainda devem ser definidos. Segundo Seif, qualquer senador integrante da Comissão de Relações Exteriores pode solicitar compor o grupo.

“Todos que participam da CRE podem viajar regimentalmente. Assim que as autoridades americanas confirmarem os encontros, vamos articular a partir de agora que aprovamos”, afirmou à CNN.

Os integrantes da comitiva ainda devem ser definidos. Segundo Seif, qualquer senador da Comissão de Relações Exteriores pode solicitar compor o grupo. O senador apresentou o mesmo pedido na Comissão de Direitos Humanos, presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Se for aprovado, a missão também pode incluir parlamentares do colegiado.

Em suas redes sociais, Seif também rebateu críticas de parlamentares governistas sobre o uso de recursos públicos para a viagem. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chegou a dizer que a missão usaria dinheiro público para “financiar lobby internacional de impunidade a criminosos condenados com trânsito em julgado”.

O gasto, segundo o senador, já está previsto no orçamento do Senado. “A missão aos EUA será custeada pelo Senado, como toda missão oficial do Parlamento brasileiro. Isso não é ‘gasto extra’. É função constitucional”, disse.

A missão ganhou eco entre integrantes da oposição e o apoio de Eduardo Bolsonaro, que está no país desde março do ano passado. Ele perdeu o mandato na Câmara por extrapolar o limite de faltas.

Em publicação nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro celebrou a aprovação do requerimento na CRE e disse que a missão vai acompanhar os “perseguidos políticos” que buscam asilo nos EUA.

Viagens aos EUA

Se for aprovada, essa será a segunda missão de um grupo de congressistas brasileiros ao país norte-americano desde que Donald Trump assumiu a Casa Branca. Em junho de 2025, um grupo já havia viajado a Washington para tentar evitar a sobretaxação de produtos brasileiros.

Na ocasião, a CRE criou um grupo de trabalho composto por senadores de diferentes partidos: Carlos Viana (PL-MG), Jaques Wagner (PT-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), Nelsinho Trad (PSD-MS), Esperidião Amin (PP-SC), Tereza Cristina (PP-MS), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Fernando Farias (MDB-AL).

Eles tiveram um encontro com diplomatas brasileiros, empresários estadunidenses e representantes da Organização Mundial do Comércio, mas não tiveram resultado na tentativa de reduzir as tarifas.

Ramagem é solto nos Estados Unidos após ser detido pelo ICE | CNN PRIME TIME Ramagem é solto nos Estados Unidos após ser detido pelo ICE | CNN PRIME TIME

FONTE/CRÉDITOS: emillybehnke