A confiança dos consumidores brasileiros ficou praticamente estável em junho, segundo dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas). O Índice de Confiança do Consumidor recuou apenas 0,1 ponto, para 88,7 pontos.

O resultado revela um cenário de contrastes. Enquanto a percepção sobre a situação atual da economia melhorou, as expectativas para os próximos meses voltaram a se deteriorar. O Índice de Situação Atual avançou 0,9 ponto e atingiu o maior nível desde outubro de 2014.

Já o Índice de Expectativas recuou 0,9 ponto, refletindo a cautela dos consumidores em relação ao futuro.

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Segundo analistas da FGV, a combinação de um mercado de trabalho aquecido e de medidas voltadas à renegociação de dívidas tem contribuído para melhorar a percepção sobre o presente. No entanto, esses fatores ainda não foram suficientes para reduzir o pessimismo em relação ao restante do ano.

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Juros e insegurança

Em entrevista ao CNN Money, Ana Paula Tozzi, da AGR Consultores, afirmou que os dados mostram uma leitura segmentada da economia. Segundo ela, a melhora na avaliação da situação atual está diretamente relacionada às condições financeiras das famílias.

“O mercado de trabalho continua robusto e, além disso, estamos falando de algumas iniciativas de refinanciamento de dívida. Isso gera um pouco de otimismo no consumidor nessa situação atual”, disse.

Por outro lado, a especialista destacou que a queda do Índice de Expectativas afeta principalmente o consumo de bens duráveis e discricionários — aqueles considerados não essenciais.

“O consumidor fica receoso de assumir novas dívidas, o que acaba trazendo uma expectativa de consumo menor para esses itens”, explicou.

Para Tozzi, os juros elevados e a ausência de perspectivas de queda significativa das taxas estão entre os principais fatores por trás desse comportamento.

“Isso traz uma sensação de insegurança para o consumidor e também para a indústria e o varejo”, afirmou.

Diferenças por renda e perspectivas para 2026

A consultora também observou diferenças relevantes entre as faixas de renda. De acordo com ela, os consumidores de maior renda tendem a demonstrar mais pessimismo por acompanharem de perto indicadores como juros, política fiscal e endividamento público.

Já entre as famílias de menor renda, a percepção costuma estar mais ligada ao emprego e aos programas de renegociação de dívidas.

Ao projetar os próximos meses, Tozzi destacou que 2026 será marcado por eventos de grande impacto, como a Copa do Mundo e as eleições, o que pode estimular uma postura mais cautelosa entre consumidores, empresas e varejistas.

“O consumidor e a indústria ficam na expectativa de como tudo isso vai terminar”, afirmou.

Na avaliação da especialista, uma estabilidade mais consistente deverá surgir apenas após o segundo turno das eleições, quando fatores como a trajetória do dólar e a confiança do consumidor poderão voltar ao centro das atenções.

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FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites