O Ministério da Saúde suspendeu, na segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A medida preventiva foi adotada após o registro de 42 reações adversas graves e dois óbitos que estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias.

A médica e infectologista Luana Araújo explicou ao Live CNN que os eventos registrados foram classificados como inesperados, pois não foram observados durante o processo de desenvolvimento da vacina, que incluiu a testagem em aproximadamente 16 mil pessoas. Segundo ela, o próprio Ministério da Saúde destacou esse caráter inesperado durante coletiva de imprensa.

Farmacovigilância e o papel do monitoramento pós-aprovação

Luana Araújo ressaltou que o surgimento de reações não previstas após a entrada de um produto no mercado é algo que pode ocorrer dentro do processo regulatório. “Até um certo ponto, é isso que acontece mesmo quando esses produtos vão ao mercado”, afirmou.

Leia Também:

Por isso, segundo a infectologista, existe um sistema de farmacovigilância conduzido de maneira “ostensiva, sensível e assertiva”, capaz de identificar eventos que não foram observados nos estudos clínicos.

“A mínima possibilidade de se estar ligado à vacina já faz com que esse sistema seja paralisado para que isso tudo seja investigado de uma maneira mais profunda“, destacou a especialista.

Leia mais

  • Médica orienta buscar atendimento se houver reação à vacina Butantan

    Médica orienta buscar atendimento se houver reação à vacina Butantan

  • Suspensão de vacina: Diretor do Butantan defende rigor em investigação

    Suspensão de vacina: Diretor do Butantan defende rigor em investigação

  • Governo age para evitar crise de desinformação sobre vacina da dengue

    Governo age para evitar crise de desinformação sobre vacina da dengue

Vacina do Butantan é diferente da aplicada na rede pública para crianças

Luana esclareceu que a vacina suspensa é diferente daquela já disponível na rede pública para crianças e adolescentes. A vacina aplicada no SUS (Sistema Único de Saúde) para o público infantojuvenil, entre 10 e 14 anos, é produzida pela Takeda, em duas doses, e não está relacionada aos eventos investigados.

Já a vacina do Instituto Butantan, de dose única, foi aplicada inicialmente a profissionais de saúde e, em algumas cidades, a um grupo ligeiramente mais amplo. “Quem fez a vacina da Takeda não tem nenhuma razão para ter qualquer preocupação com o que está acontecendo agora”, afirmou Luana Araújo.

As duas vacinas utilizam tecnologia de vírus atenuado — ou seja, vírus enfraquecidos —, o que as torna eficazes, mas também impõe restrições de uso. Gestantes, imunossuprimidos e idosos (ainda em estudo) não devem recebê-las.

A diferença fundamental entre elas, segundo a infectologista, está nos fabricantes e nas formulações, que são completamente distintos.

Como funciona a tecnologia das vacinas

A médica também explicou o princípio básico das vacinas. Segundo ela, a vacina é “uma forma de ensinar o nosso corpo a se defender sem que ele precise passar pelo estresse da doença”.

Existem diferentes tecnologias para isso: vírus inativado, vírus atenuado, mRNA e proteínas, entre outras. No caso das vacinas com vírus atenuado, o organismo é estimulado imunologicamente por um vírus enfraquecido que, na maioria das pessoas, não causa doença.

Contudo, em indivíduos com sistema imunológico comprometido, mesmo o vírus enfraquecido pode eventualmente causar adoecimento, o que justifica as restrições de aplicação.

A especialista também aproveitou para reforçar a importância das vacinas de modo geral. “Vacinas salvaram milhões de vidas ao longo das últimas décadas, continuam salvando. Não só salvam as vidas, como poupam o sistema de saúde e preservam a qualidade de vida das pessoas”, concluiu Luana Araújo.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
FONTE/CRÉDITOS: afonsobenites