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Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros identificou a presença de fungos patogênicos do gênero Sporothrix, responsáveis pela esporotricose, doença frequentemente transmitida por arranhões e mordidas de gatos infectados, em animais silvestres da Mata Atlântica.
A descoberta amplia o conhecimento sobre a circulação do microrganismo na natureza e sugere que espécies selvagens também podem atuar como hospedeiras do fungo.
A iniciativa, que faz parte de um projeto de pesquisa sobre o potencial de animais silvestres como sentinelas de zoonoses, é liderada pelo Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 2016. Participaram ainda pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e do Centro Médico Universitário de Utrecht, nos Países Baixos. A Fapesp auxilia no financiamento do projeto.
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A pesquisa, que foi publicada na revista científica Mycopathologia, analisou amostras coletadas de 81 animais silvestres vertebrados atropelados em rodovias do Paraná entre 2017 e 2023. Foram examinados tecidos de mamíferos, aves e répteis encontrados ao longo das rodovias BR-376 e PR-445, em áreas de Mata Atlântica e regiões de transição entre ambientes rurais, urbanos e naturais.
Os cientistas detectaram DNA de três espécies patogênicas de Sporothrix: Sporothrix brasiliensis, considerada a principal responsável pelos surtos de esporotricose zoonótica no Brasil; Sporothrix schenckii; e Sporothrix globosa.
Entre os 81 animais analisados, 11 apresentaram resultado positivo para o fungo. As amostras foram encontradas em órgãos internos, como coração, fígado, pulmão e baço, indicando que os microrganismos estavam circulando no organismo dos animais.
Um dos casos envolveu o gato-do-mato-do-sul, espécie ameaçada de extinção. Os pesquisadores também identificaram a presença do fungo em aves, resultado que desafia a ideia de que a alta temperatura corporal desses animais funcionaria como barreira natural contra infecções fúngicas.
Segundo os autores, os resultados indicam que a circulação do Sporothrix pode ser mais ampla do que se imaginava. A descoberta reforça a importância da abordagem conhecida como Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.
A cada segundo, aproximadamente 15 animais selvagens são mortos nas estradas brasileiras, totalizando cerca de 1,3 milhão de mortes diárias e mais de 475 milhões anualmente, o que ameaça a biodiversidade.
*Sob supervisão de Ana Beatriz Dias, da CNN Brasil
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