O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisará realizar uma cirurgia no ombro, segundo pedido de sua defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento será realizado no manguito rotador e em lesões associadas, que teriam sido afetados depois de uma queda do político em janeiro, quando ele estava na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O procedimento pode ser realizado já nesta sexta-feira (24) ou no sábado (25).

Ortopedista e especialista em cirurgias de ombros da clínica Orion, Dr. Kaleu Nery avaliou que o procedimento que o antigo mandatário deverá realizar requer atenção, principalmente no pós-operatório. Para o médico, a idade do ex-presidente é um fator que complica o caso.

“Quando falamos de uma cirurgia de manguito rotador em um paciente de 71 anos, como é o caso do ex-presidente Bolsonaro, a idade é, sim, um fator importante. Isso porque, com o envelhecimento, o ombro sofre um desgaste natural”, informou Ney à CNN Brasil.

Leia Também:

Leia Mais

  • Bolsonaro é transferido para Superintendência da PF após alta hospitalar

    Bolsonaro é transferido para Superintendência da PF após alta hospitalar

  • Bolsonaro deve operar ombro direito no fim de abril, diz médico

    Bolsonaro deve operar ombro direito no fim de abril, diz médico

  • Entorno de Bolsonaro aposta em prisão domiciliar após cirurgia

    Entorno de Bolsonaro aposta em prisão domiciliar após cirurgia

Entenda a lesão

“O manguito rotador, que é o conjunto de tendões responsável pelos movimentos e pela estabilidade do ombro, vai perdendo a qualidade com o tempo. Muitas vezes, o sangue já tem uma degeneração prévia, sem nem sentido, e a queda acaba funcionando como um gatilho para uma lesão mais importante. Ou seja, não é apenas a queda, mas a soma entre o trauma e um tendão já fragilizado pela idade”, continuou.

Ao contrário do caso de Bolsonaro, nem todos os pacientes que sofrem lesões no ombro necessitam passar por procedimentos cirúrgicos. “A cirurgia não é indicada em todos os casos. Quando há tendinites ou rupturas parciais, normalmente a gente começa com um tratamento conservador, como fisioterapia, fortalecimento muscular e controle da dor”, explicou.

Ele seguiu: “A cirurgia costuma ser indicada quando existe uma ruptura completa do tendão, principalmente se há dor importante, perda de força e dificuldade para atividades simples do dia a dia, como levantar o braço, se vestir e dormir sem dor”.

Após o procedimento, o ex-presidente deverá seguir um protocolo de pós-cirúrgico. “O mais importante é entender que começa uma nova fase, a reabilitação. Existe um período inicial com a tipoia, controle da dor e proteção do ombro. Depois, entram progressivamente os exercícios de mobilidade e fortalecimento. O grande segredo é respeitar o tempo da cicatrização e seguir corretamente a fisioterapia“, declarou Nery.

“Eu costumo dizer que o ombro não melhora por pressa, ele melhora por processo. E esse processo exige paciência, disciplina e constância para devolver função e qualidade de vida com segurança”, finalizou.

Vale ressaltar que Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o dia 27 de março. Ele cumpre pena em casa por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após internação de duas semanas para tratamento de broncopneumonia bilateral.

Linha do tempo: entenda o que levou à condenação de Bolsonaro

FONTE/CRÉDITOS: paulovito