A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao STM (Superior Tribunal Militar) um pedido para afastar um dos ministros que pode participar do julgamento que analisa a perda de sua patente militar.

Os advogados protocolaram uma exceção de suspeição contra o vice-presidente do tribunal, o brigadeiro Francisco Joseli Parente Camelo, argumentando que ele teria demonstrado antecipadamente posição favorável à punição de militares envolvidos nos atos extremistas de 8 de janeiro.

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O pedido foi apresentado no mesmo processo em que o STM avalia se Bolsonaro deve ser declarado indigno para o oficialato, medida que pode resultar na perda de seu posto de capitão reformado do Exército Brasileiro.

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Na petição, os advogados citam uma entrevista concedida por Camelo ao portal UOL em fevereiro de 2023, na qual afirmou que militares envolvidos nos atos seriam punidos caso o caso chegasse ao tribunal.

“Nós julgaremos com toda a Justiça, com todo o pleno direito à defesa e ao contraditório, e se tiver realmente cometido crimes, se chegar a nós, será punido”, disse o ministro à época.

Para a defesa, a declaração indicaria antecipação de julgamento, o que comprometeria a imparcialidade necessária para atuar no caso.

Segundo os advogados, a fala foi feita antes mesmo da conclusão das investigações e da condenação criminal que originou a representação analisada pelo tribunal militar.

A petição sustenta que a manifestação pública teria demonstrado uma “prévia disposição para condenar”, o que, segundo a defesa, seria incompatível com a exigência de imparcialidade judicial.

A defesa, então, pede que o próprio ministro reconheça sua suspeição e se declare impedido de atuar no processo. Caso isso não ocorra, os advogados solicitam que a questão seja analisada pelo plenário do STM.

A petição também pede a suspensão do processo principal até que o tribunal delibere se o magistrado pode ou não participar do julgamento.

O STM analisa uma representação do Ministério Público Militar que pede a declaração de indignidade para o oficialato de Bolsonaro e de outros militares após condenações relacionadas à trama golpista. Caso o pedido seja acolhido, a punição pode resultar na perda da patente militar.

FONTE/CRÉDITOS: fernandafonseca