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O governo de Donald Trump afirma que as negociações com o Irã por um cessar-fogo estão funcionando e há, segundo ele, uma perspectiva otimista de um possível acordo entre os dois países. A análise é apresentada pelo analista Lourival Sant’Anna e pelo professor da UFF e pesquisador de Harvard Vitélio Brustolin, ao WW.
O marechal de campo do Paquistão, Asim Munir, tornou-se o grande intermediário entre Irã e Estados Unidos. Munir se encontrou com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, para discutir o rumo das negociações e repassar uma mensagem vinda da Casa Branca. Nenhum dos lados detalhou o que foi discutido, nem sobre o que se tratava o texto.
No entanto, Donald Trump deixou espaço para um diálogo sobre uma segunda rodada de negociações oficiais em Islamabad, como as que ocorreram no último fim de semana. A porta-voz da Casa Branca, Caroline Levitt, confirmou a informação. Donald Trump também disse que espera um término rápido para a guerra.
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“Agora, nesse momento, a proposta dos Estados Unidos se parece muito com o prazo estabelecido por Obama no primeiro mandato, então, a impressão que dá é que Trump realmente está cedendo”, opinou Brustolin.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Bajé, reconheceu que os esforços diplomáticos são positivos, mas manteve uma postura cautelosa frente aos americanos.
Pressão econômica em paralelo às negociações
Paralelamente às negociações, Washington busca formas de pressionar ainda mais o regime iraniano. O Departamento do Tesouro Americano anunciou nesta quarta-feira novas sanções contra o petróleo vindo do país. Além disso, o secretário do Tesouro, Scott Bassett, disse que o país estuda aplicar restrições secundárias contra países que compram combustível ou usam o dinheiro de Teerã.
As medidas se juntariam ao bloqueio que os Estados Unidos realizam aos portos iranianos. O objetivo é impedir que mercadorias entrem e saiam da região. A mídia estatal do Irã registrou que quatro embarcações do país conseguiram furar o bloqueio. Mas os americanos afirmam que forçaram outros nove navios a darem meia-volta, os impedindo de cruzar o Estreito de Hormuz.
Como resposta, as forças armadas iranianas ameaçaram interromper o fluxo de navegação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã e no Mar Vermelho.
Programa nuclear no centro das negociações
Um dos pontos centrais da negociação é o programa nuclear iraniano. A proposta dos Estados Unidos é que o Irã deixe de enriquecer o urânio por 20 anos, o que é muito parecido com o acordo que Barack Obama firmou em 2015 e do qual Trump saiu durante seu primeiro mandato.
O Irã, por sua vez, propõe não enriquecer o urânio por apenas 3 a 5 anos. Trump havia criticado o acordo anterior por não prever o programa de mísseis e o financiamento iraniano a grupos considerados terroristas na região, como o Hezbollah, o Hamas, os Houthis e a Jihad Islâmica na Palestina.
Após a saída dos EUA do acordo, o Irã acumulou aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, algo que não possuía quando o acordo estava em vigor e havia fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica.
A questão do Estreito de Ormuz
Informações não oficiais sugerem que o Irã ofereceréu permitir a navegação pela costa de Omã no Estreito de Ormuz. A área é dividida entre o mar territorial iraniano e águas internacionais, sendo que estas últimas estariam supostamente minadas pelo Irã.
Não está claro se o Irã desminaria a área ou forneceria mapas para navegação segura, nem se todos os navios poderiam navegar, incluindo aqueles com destino a Israel. Os Estados Unidos exigem que nenhum navio passe pela parte do mar territorial iraniano e que todos utilizem as águas internacionais.
A guerra é impopular nos Estados Unidos, com apenas 27% de apoio da população, e não tem apoio no Congresso americano. Donald Trump iniciou o conflito usando o artigo 2º da Constituição, que permite ações em caso de ameaça iminente, mas a guerra é considerada uma escolha e não uma necessidade pela população americana.
“Ele quer sim terminar sim a guerra, mas, ele quer terminar de uma forma que pareça que ele venceu”, apontou o professor.
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