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O endividamento dos brasileiros atingiu níveis alarmantes, colocando tanto o governo federal quanto o sistema financeiro em estado de alerta.
O problema, segundo especialistas, é estrutural e não pontual, o que significa que soluções de curto prazo dificilmente trarão melhorias significativas ao cenário econômico do país.
Em entrevista ao CNN Money nesta quinta-feira (16), Jefferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, apontou que o país enfrenta um ciclo vicioso.
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Enquanto o BC (Banco Central) adota uma postura conservadora buscando reduzir a inflação e mantê-la próxima à meta, a política fiscal segue um caminho totalmente desconectado dessa preocupação.
“A política monetária percebe claramente as pressões que nós temos em termos de atividade, os choques, e tem tido até agora uma política bastante conservadora. E o foco da política fiscal tem sido totalmente desconectado dessa preocupação da política monetária”, observou.
Para tentar conter o endividamento crescente, o governo está apostando na liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para pagamento de dívidas como parte do programa Desenrola 2.0.
No entanto, essa iniciativa é vista como um paliativo que não soluciona o problema fundamental do endividamento no Brasil.
“A gente tem uma questão fiscal estrutural que o endereçamento dela vem sendo dado de uma maneira muito lenta. Como a gente vem tendo uma percepção de dívida crescente, isso vai adicionando prêmio de risco à taxa de juros”, explicou.
Crescimento preocupante da dívida pública
De acordo com Bittencourt, o Brasil iniciou 2023 com uma dívida em torno de 71,7% do PIB e deve terminar 2026 com esse percentual ultrapassando 83% do PIB. Esse cenário acaba criando um spread de risco para as taxas de juros da própria dívida, que serve como referência para o endividamento privado.
O especialista destacou que, embora o governo tenha lançado o programa Desenrola no início do mandato para ajustar as dívidas de um segmento da população, simultaneamente foram criados vários incentivos a novas tomadas de crédito.
“As pessoas foram novamente se endividando a uma taxa de juros que não consegue cair em grande medida por conta da situação fiscal, seja de longo prazo, quando a gente está falando de desequilíbrios fiscais, seja de curto prazo por conta dos próprios estímulos”, afirmou.
Risco moral
O especialista alertou ainda para o risco moral que programas recorrentes de renegociação de dívidas podem gerar.
“Se, de tempos em tempos, aparece um programa de renegociação de dívida, onde eu vou poder renegociar minha dívida em condições melhores, tem o risco de incentivar as pessoas a não serem tão adimplentes assim”, explicou.
Bittencourt concluiu que, sem um ajuste fiscal mais acelerado que contenha a trajetória de crescimento da dívida, será muito difícil ajudar empresas e cidadãos a terem acesso a crédito em condições mais favoráveis.
O especialista comparou o atual patamar de juros reais ao período pré-impeachment, alertando que há espaço para a situação piorar caso a questão fiscal não seja endereçada de maneira crível nos próximos anos.
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